Sementes crioulas: o resgate da vida

O futuro pertence àqueles que conservam e multiplicam as sementes crioulas.

As sementes crioulas são um tipo antigo de semente, que guarda um repertório de seleção natural de milhares de anos. Adaptadas aos ambientes locais, são mais resistentes e menos dependentes de substâncias sintéticas. Elas contribuem para a diversidade alimentar e para a biodiversidade dos sistemas de produção.

Confira algumas dicas de como armazenar suas sementes para garantir uma melhor germinação e produtividade quando for plantá-las.

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É um ponto chave para a discussão da preservação socioambiental, onde o objetivo é o potencial de se produzir e preservar diversidade para as gerações futuras. A relação entre as sementes crioulas e a forma de plantio tradicional é direta, pois as variedades devem ser plantadas o ano todo pelas comunidades para se manterem.

O modelo industrial agroquímico aplicado no campo nega as práticas populares de manutenção e melhoramento das espécies classificando-as como atrasadas o que criou sérios problemas, como:

  • Redução drástica na base alimentar dos povos: existem mais de 10.000 espécies de plantas comestíveis – os povos primitivos se alimentavam de 1.500 a 3.000 espécies – a agricultura antiga produzia com base em mais de 500 espécies – a agricultura industrial restringiu a base da nossa alimentação a 9 (nove) espécies, que são aquelas que dão mais lucro ao mercado. O trigo, arroz, milho e soja representam 85% do consumo de grãos no mundo.
  • Crescente deficiência nutricional na alimentação humana: isso é conseqüência direta da redução de diversidade alimentar e também porque essas espécies oferecidas pelo mercado são pobres em muitos minerais e proteínas.
  • Redução da biodiversidade: muitas espécies e variedades já se perderam e as monoculturas vão tomando conta do campo. Há também uma perda da diversidade genética e as plantas vão se tornando cada vez mais susceptíveis a pragas e doenças. A perda da diversidade desequilibra os sistemas – tanto os sistemas naturais como os cultivados.
  • Crescente dependência de grande corporações empresariais: Algumas poucas empresas querem dominar a produção e distribuição de alimentos no mundo. Estamos cada vez mais dependentes dessas empresas para nos alimentarmos e, portanto sujeitos às suas decisões quanto ao que devemos comer e quanto devemos pagar por isso. A ofensiva dos transgênicos é parte dessa estratégia de controle e dominação.
    As sementes não podem ser privatizadas ou contaminadas com genes estranhos à espécie, como acontece nos transgênicos, e nem tornar-se objeto de dominação dos povos por parte de corporações empresariais.

As sementes são patrimônio da humanidade, pois são um legado de nossos antepassados. Tão importantes para a existência humana que são constantemente celebradas e consagradas.

Guardiões de Sementes

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Como não podem ser comercializadas, a troca e o crescimento das redes entre os agricultores são saídas para a produção via semente crioula. Os bancos de sementes são espaços de armazenamento e de troca, conservados de forma adequada física e ambientalmente. Aqueles que protegem e armazenam sementes crioulas são chamados de guardiões e guardiãs.

O guardião é muito mais do que um produtor de sementes. Ele está preocupado em guardar a diversidade que existe”.
[Cristovino Ferreira Neto – Agricultor]

Nos bancos comunitários, os participantes promovem, recorrentemente, feiras de permuta de sementes, garantindo a circulação e troca de conhecimento das variedades crioulas dentro e fora da comunidade. Esta rede proporciona a interdependência e autonomia dos agricultores e agricultoras que produzem alimentos, manejam florestas e trabalham com produção de mudas.  Os guardiões protegem as sementes, compartilham, multiplicam e mantém viva a história cultural dos povos.

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Em São Paulo, comunidades tradicionais chegam a trocar até 80 tipos de sementes crioulas nas feiras que acontecem anualmente no local associadas a saberes que só existem em sua cultura e na relação com a floresta tropical”.
[Heloisa Ribeiro para Brasil de Fato]

Reconhecimento

Em 2003, as crioulas foram incluídas na Lei de Sementes. A partir daí passaram a ser reconhecidas também por programas federais e estaduais de financiamento agrícola para apoio à produção de pequenos agricultores. No começo de 2015, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, anunciou investimento de R$ 21 milhões para a construção de bancos de sementes crioulas. Outras tantas iniciativas não governamentais seguem apoiando os produtores.

De uns 10 anos para cá, os governos passaram a entender a semente crioula como estratégia
importante para apoiar a agricultura familiar. Mas ainda há um trabalho longo pela frente”.
[Emanoel, da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia.]

A série de “The Living Farms”  no episódio “Living Seed” produzido por Navdanya é baseada em testemunhos de agricultores, protetores de sementes de toda a Índia, bem como a partir de culturas agrícolas indígenas no exterior. Legendas em Inglês.

Fontes: Teia Orgânica e Rede Ecovia de Agroecologia

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2 comentários sobre “Sementes crioulas: o resgate da vida

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